Por ela, o mundo ganha cor e movimento,
Desperta a terra em toda a sua beleza;
É dela a graça da chuva, o ardor do sol, o vento,
Que varre a alma e sopra com leveza.
Não há emoção que nela não comece,
Nem sentimento que não leve o seu nome;
É a própria vida que em seu vulto tece
A fome de amar que o meu peito consome.
Por ela, o firmamento acende as suas velas,
Num vasto palco de negro veludo;
Se brilham no alto todas as estrelas,
É para iluminar o seu rosto, e é tudo.
E quando o caos do mundo se levanta,
Rugindo em fúria, medo e tempestade,
É por ela que a calma se implanta,
Trazendo a bonança e a serenidade.
Por ela, o sol rasga o horizonte escuro,
Pintando de ouro o nascer do dia;
E na paz da madrugada, em silêncio puro,
É a presença dela que me guia.
Ela é o sal e o açúcar da jornada,
O sabor das alegrias mais intensas,
E mesmo na lágrima amarga derramada,
É por ela que as dores valem as recompensas.
A voz travada, diante dela, cria
Um novo léxico, um canto, uma via;
Por ela, e só por ela, a palavra vira poesia,
E o verbo se curva à sua senhoria.
O sonho distante, que a mente cicia,
Deixa de ser vulto ou mera utopia;
Pois por ela torna-se real, em plena luz do dia,
A minha mais íntima e louca fantasia.
Se fosse preciso, eu romperia o traço,
Cruzaria o vácuo, os confins do espaço,
Para buscar uma estrela e trazê-la no braço,
Como oferta humilde ao meu cansaço.
Mas não preciso do longe, nem do que eu caço,
Pois o universo inteiro se desfaz em pedaços,
E se reconstrói, eterno, num simples laço:
Pois encontro a força no calor do seu abraço.
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Autor:
Bardo de Ferro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 9 de janeiro de 2026 22:42
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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