Do jeito que sou

caio dario

A vida anda lenta,

silenciosa como casa vazia.

Entre paredes e deveres,

eu ajudo, eu sigo,

mas por dentro… eu me sinto só.

Há um amor que mora em mim

e não sabe onde descansar.

Um amor que não fere, não machuca,

só quer existir —

mas dizem que ele é errado

antes mesmo de aprenderem a escutá-lo.

Eu olho para o céu e me pergunto:

será que Deus rejeita o amor?

Será que Ele não vê

que tudo o que sinto é verdade,

é cuidado,

é vontade de caminhar de mãos dadas?

Queria tanto chamar alguém de meu,

não por posse,

mas por afeto.

Queria um abraço que dissesse:

“você não precisa se esconder”.

Queria chamar minha mãe de amiga,

de porto seguro,

de melhor confidente.

Mas o medo fecha minha boca

e transforma amor em silêncio.

Talvez ela nunca saiba

quem eu realmente sou —

e isso dói mais do que qualquer rejeição.

Perdi meu cachorro,

meu amigo mais fiel,

aquele que me entendia

sem exigir explicações.

Com ele se foi um pedaço da minha voz,

da minha liberdade de ser.

Hoje eu carrego perdas invisíveis:

o amigo que sumiu,

a mãe que não pode saber,

o amor que não pode aparecer,

e um coração cansado de lutar sozinho.

Mas mesmo assim,

no meio dessa dor toda,

ainda existe em mim

um desejo simples e bonito:

ser livre.

Livre para amar.

Livre para existir.

Livre para ser exatamente

do jeito que eu sou.

  • Autor: caio dario (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de janeiro de 2026 20:35
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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