PALAVRAS - II

Arthur Santos

PALAVRAS - II

Ontem encontrei uma palavra

ia tranquilamente na rua

e dei-lhe um valente pontapé

penso que lhe acertei mesmo em cheio

 

a palavra encolheu-se

suponho que sentia uma dor forte

mas não disse uma palavra

eu é que lhe dirigi a palavra

 

ela ficou calada

palavra que não percebi

só comecei a perceber

quando uma multidão de palavras

correu na minha direcção

desordenadamente cada uma para seu lado

num ruído tão caótico

que não entendi palavra

do que me queriam dizer

 

cortei-lhes a palavra

e sem palavras consegui

ouvir o silêncio

 

gosto tanto do silêncio

das palavras

  • Autor: Arthur Santos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de janeiro de 2026 11:21
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 13
  • Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, MAYK52
Comentários +

Comentários1

  • MAYK52

    As palavras por vezes são assim. Gostam de ser provocadas e ficarem em silêncio...

    Excelente poema, caro Arthur. Gostei bastante.

    Abraço!

    • Arthur Santos

      Muito obrigado amigo Mário pelo teu simpático comentário.
      Também gosto muito da tua poesia.
      Abraço.



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