Franqueza

Ludwig Homero

Falei a ela que gostava de samba

Ao tocar, deixava elas de perna bamba

O Cavaco foi meu irmão de firma

Cresceu comigo e já mais  contando mentira

 

De manhã era pandeiro

De tarde levava pro banheiro

De noite, só tocava com um Paiero…

 

Eram várias as notas

Existe a mais escandalosa

Mas a que tinha-me por inteiro entre todas

Era a Mi, linda, sútil, delicada e gostosa

 

Ao estar na boca me sentia exaltado

A nota que eu tinha explorado

No caso

Era diferente do meu caso

 

Pra tocar eAm tinha um manual

Canto simples, boca leve e toque usual

De pronto está ja era minha

E digna do pagode era amiga da minha mina…

 

Nascido no ouro

Criado no subúrbio

Meu signo não é touro e…

Muitos menos sou pai de Rúbio

 

Filho da rua

Vestido na maldade nua

Enganar foi mais ajuda

Do que fuja!…

 

Malandro que desde pequeno fui

Quando ao topo alcançei

Mostrei como a lábia flui

E com pouco discurso assustei

 

Pra fazer

Aí de saber

Aquele que faz sem visão

Acaba sem boca, sem perna e sem mão

 

Igual ao pular do dois para o três

É preciso fala pra freguês

Mudava de lado

E nessa troca nunca fui presenciado

 

Sempre estive lá

Mas sempre fazendo o que for pra sumi-la

Minha ilustre presença descrita por falta

Já havia passado pra elite alta

 

Com meu samba usufruí de bons pratos

Coisa de rico, refinado, coisa boa, são fatos

Comida boa era mesmo japonesa

Cozinheira igual era a tal morena loira e a vermelha de framboesa…

 

Ja houve um tempo

Em que eu ficava em uma nota só

Mas nem Tom Jobim dono do campo

Conseguiu manter-se harmônico no dó…

  • Autor: Ludwig Homero (Offline Offline)
  • Publicado: 9 de janeiro de 2026 02:43
  • Comentário do autor sobre o poema: Se não entender, procure escutar mais
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 2


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