Meninice
Ah, a minha meninice,
fase complexa.
Não sei quando deixei de ser criança
ou se, de fato, nunca fui.
Lembro-me de ter responsabilidade de adulta
aos oito anos,
e de já pensar como adulta
aos três.
Pensamentos me chegavam
como visitantes sem aviso,
sentavam-se em mim,
faziam da minha existência
algo maior, mais sério,
mais pesado
do que eu merecia carregar.
Havia em mim uma urgência estranha,
como se o mundo dependesse
do meu silêncio,
do meu cuidado,
da minha firmeza precoce.
Muitas vezes quis deixar de existir,
não por falta de vida,
mas por não entender a dor
de estar viva em mim.
A verdade é simples e triste:
eu apenas queria ser criança.
Queria dias pequenos,
medos que coubessem em abraço,
responsabilidades do tamanho de um brinquedo
esquecido no chão.
Hoje reconheço:
não era fraqueza,
era ausência.
Não era drama,
era infância interrompida.
E sigo,
com essa criança dentro de mim
que nunca teve tempo,
mas ainda espera
— talvez não por respostas,
apenas por permissão
de existir sem peso.
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Autor:
Josi Moreira (
Offline) - Publicado: 8 de janeiro de 2026 07:46
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
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