O tempo tem o seu próprio rumo e ritmo, indiferente à pressa ou ao nosso apego. Quando se vê, já passaram a manhã e à tarde. Quando se vê, já é sexta-feira... e a semana se desfez. Mas, na ausência de quem se ama, o relógio torna-se um castigo, pois o afeto não tem pressa de ir embora.
Dizem que o tempo ameniza, mas isto é faltar com a verdade. Na realidade, é na fragilidade que a verdade se mostra inteira. Às vezes, penso que a dor nunca vai passar, noutras, eu nem desejo que ela passe, apenas para manter vivo esse último pedaço de você dentro de mim. Se a falta nos marca e a saudade insiste, resta o espírito exausto, sem rumo ou saída. Tentar decifrar os motivos é inútil.
A quietude me acolhe em meu luto sem fim. Como um náufrago crente na imensidão do oceano, sinto que cada memória é uma onda que me leva e me puxa, nos dias de sol e nos dias de chuva. Afinal, não detemos a posse de nada que o tempo conduz, nem o controle de onde as ondas irão nos deixar.
Quando se vê, já haverão se passado 60 anos! Somos viajantes seguindo o rastro de uma luz que se desfaz na escuridão, obcecados por um sonho que nem sempre se realiza. Mas, para o querer se adaptar ao rigor da jornada e nutrir a coragem necessária para nos tornarmos mais fortes — mesmo quando a alma se sente desamparada —, talvez nem todo o tempo do mundo seja o bastante.
Nada se extingue, tudo vira memória. O amor se liberta na paz de quem recordamos. O que foi vivido não se desfaz, nem se o destino for mudado. Ao olhar para trás, aceitamos o que foi dado. Não podemos nos apegar ao passado, por mais forte e intenso que o seguremos, ele já se foi.
Mesmo que eu sinta sua falta, todos os dias da minha vida…
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Autor:
Gustavo Felipe (
Offline) - Publicado: 7 de janeiro de 2026 11:29
- Categoria: Não classificado
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