O dia mais triste da minha vida
vai ser o dia da minha morte.
não porque eu tema a morte
—oh, como eu queria temê?la.
mas eu não temo.
será triste porque meus olhos, enfim,
vão se fechar para tudo que é bonito de ver.
meus ouvidos não vão mais ouvir
os sons que embalam minha alma.
meus lábios não vão mais pronunciar
as palavras que tanto amo dizer.
minha pele não vai sentir o vento,
nem o calor, nem o frio,
nem aquele arrepio que diz
“estou viva”.
não vou mais poder exclamar
“que lindo”
quando algo tocar profundamente
a minha alma.
antes de ir, acho que a minha mente
vai passar um filme inteiro
dos lugares que nunca pisei
e das almas que nunca conheci.
tenho tanta sede de pessoas,
tanta fome de lugares,
que caminho pela vida
como um viajante perdido
no meio de um oceano imenso,
à procura de um pequeno pedaço de terra.
e assim é a minha alma:
vaga faminta
por esse pedaço de terra
que nunca é terra —
são encontros.
encontros que ainda preciso ter,
encontros que ainda não vivi.
e no dia em que eu morrer,
o que mais vai doer em mim
é a saudade
dos encontros que não tive.

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