Jardim Eterno

Kira

Ainda naquele jardim, posso ver teu reflexo nas sombras; posso sentir que tu ainda estás ali, mesmo que doa em meu peito. A brisa fria ainda me abraça, mesmo que o ar de meus pulmões acabe, mesmo que a tempestade venha encontrar-me caído em meio aos destroços de minha mente. E mesmo que tu estejas à minha frente, tu não viras para ajudar-me, tu não viras para consolar-me; tu apenas segues em frente sem ajudar-me. Ver-te ir foi como se um punhal tivesse transpassado meu peito e rasgado minha alma, fazendo-me sangrar sem que tu vejas. Agora, aquele jardim que acolhia e brilhava ao sol, era escuro e distante, onde as sombras vem encontrar-me e envolver-me. Seu perfume suave como a brisa, agora não se passava de um cheiro metálico que exalava de mim – o qual pingava sem intenção de parar. Eu tentei erguer-me, mas, cai sem intenção de levantar outra vez, eu tentei chamar-te mesmo que tu não fosse ouvir-me; eu tentei alcançar-te mesmo que fosse impossível. O metal frio da lâmina, ainda cravado em meu peito, ardia como uma ferida exposta; os meus olhos ainda podiam enxergar-te, mesmo que embaçados. Ao longe, eu vir-te virar em minha direção, mas, tu apenas voltou a seguir até a saída; tu apenas abandonaste-me antes da escuridão abraçar-te, me deixando eternamente lá.

  • Autor: Espirais em confusão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de janeiro de 2026 09:38
  • Comentário do autor sobre o poema: Me deram um tema e as palavras foram fluindo
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 5


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