Quando Escrever Vira Abrigo
A madrugada pesa como um quarto sem janelas,
e eu fico ali, sentado dentro de mim.
O silêncio não conforta,
ele cobra tudo o que foi sentido e guardado.
Escrevo porque não sei onde colocar
essa tristeza que não chora.
As palavras saem tortas, cansadas,
como se também estivessem exaustas de existir.
A poesia não cura,
mas impede o desmoronamento.
É onde deixo a dor descansar um pouco
antes de voltar a ser eu.
Na madrugada, escrever é isso:
dar forma ao vazio,
pra que ele doa menos
do que ficar inteiro dentro do peito.
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