Eu já terminei muitas vezes
com alguém que eu gostava demais.
Não porque faltou sentimento,
mas porque sobrou estresse,
palavras atravessadas,
cansaço acumulado
e silêncio depois do grito.
A gente brigava,
se afastava,
tentava de novo.
E toda tentativa vinha
com a esperança errada
de que algo tinha mudado.
Nunca tinha.
Hoje eu sei:
voltar não era solução.
Mesmo assim, dói.
Não é falta de gente.
É falta de lugar.
É a ausência de ser
importante pra alguém
sem precisar explicar nada.
Eu não sei ficar raso.
Não sei sair por sair.
Não sei preencher o vazio
com corpos aleatórios
ou conversas descartáveis.
Tem dias que eu quero tudo.
Tem dias que eu não quero nada.
Tem dias que eu sinto demais.
Tem dias que eu não sinto
absolutamente nada.
Eu trabalho.
Trabalho muito.
Trabalho pra ocupar o tempo,
pra não ouvir a cabeça,
pra não encarar o silêncio
que começa quando tudo para.
Às vezes eu esqueço de comer.
Às vezes eu esqueço de mim.
Meu corpo vai seguindo
enquanto a mente
fica presa em lembranças pequenas:
gestos, rotinas, detalhes
que ninguém vê,
mas que fazem falta.
Não é drama.
É dependência emocional.
É ter feito de alguém
um ponto de apoio
e agora ter que aprender
a ficar em pé sozinho.
Eu sei que não dá pra voltar.
Eu tentei.
Não funcionou.
E aceitar isso
tem sido mais difícil
do que ir embora.
Existe um vazio grande aqui.
Ele não grita.
Ele só fica.
E eu sigo vivendo,
trabalhando,
respirando,
esperando o dia
em que ficar sozinho
não doa tanto
quanto ficar sem alguém.
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Autor:
RetrKill0 (
Offline) - Publicado: 4 de janeiro de 2026 10:13
- Categoria: Triste
- Visualizações: 1

Offline)
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