Mulheres que correm com os lobos,
mulheres que correm como lobos,
mulheres que são lobos,
mulheres.
Perguntei a uma amiga se conhecia Emily Dickinson.
Ela respondeu, sem hesitar:
— Sou sapatona; conheço Emily Dickinson.
Tomei isso como um mandamento inicial
da literatura lésbica.
Let Down, do Radiohead,
é a música dos astrofísicos,
dos astrônomos,
dos cientistas.
Talvez por isso eu a tenha escutado
até que o silêncio cedesse.
Um dia, criarei asas.
Clarice escrevia para mulheres;
é por isso que a leio sendo uma.
Abrace o seu narcisismo.
Quis ser Dickinson,
quis ser Clarice,
uma Kafka em versão feminina.
Mas, entre todos eles,
permaneço eu.
Astropoeta.
Cosmopoeta.
Poeta do cosmos.
Astrofísica lírica.
São nomes suficientes
quando perguntam quem sou.
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Autor:
novembralvi (
Offline) - Publicado: 3 de janeiro de 2026 21:22
- Comentário do autor sobre o poema: Clarice disse que a cabeça e corpo ficam constantemente procurando uma adaptação. Para mim, foram em palavras.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 12

Offline)
Comentários1
Astrofísica lírica... gosto 🙂
Permaneça assim.
Belo poema.
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