De repente a esperança que antes
preenchia o peito, adormece.
Dorme tão profundamente
que nem o maior dos gritos consegue despertá-la.
Nem o pedido mais doloroso, esbravejado,
faz com que ela abra os olhos.
De repente as risadas que saíam sem esforço
e serviam de abraço caloroso
precisam ser ensaiadas.
De repente o arrepio gostoso
que surgia ao deitar na cama quentinha
depois de um longo dia
se torna nada.
Apenas uma lembrança distante
de um tempo que parece não voltar.
De repente os planos, os sonhos, os encontros
pesam mais do que uma tonelada,
viram cimento
e enterram o corpo já exausto de tentar.
Metaforicamente. Claro.
De repente até a tristeza abandona.
O choro já não sai,
o desespero se esvai.
Não sobra lágrima.
Não sobra alma.
De repente o vazio vira companhia,
o abismo vira refúgio,
a neblina, efeito especial
de um filme maçante
cujo final se deseja.
De repente duas mãos pequenas,
um sorriso inocente
e um: “mãe, quero ver você contente”
sopram o fôlego necessário
para voltar do fundo do poço.
De repente,
se você fosse vista,
não cairia lá no novamente.
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Autor:
biancalessa_ (
Offline) - Publicado: 3 de janeiro de 2026 12:21
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua

Offline)
Comentários1
Se eu entendesse de poesia, saberia o que vai no seu coração.
Como não entendo e nada sei.
Apenas falo um BRAVOS.
Apegaua.
Se eu entendesse de poesia, talvez não deixasse o coração falar —
e não estaria aqui agora, humildemente lhe agradecendo por esse comentário.
Eita, respondeu na lata.
Pois é tenho até medo de comentar, pois por aqui as pessoas nem gostam.
Você e fora de serie.
Mas sabe ne, que ficar só batendo na porta da tristeza der repente ela atende.
Um bom 2026
Apegaua
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