Me encontro sob o peso de um céu cinzento, numa tarde de quinta, dessas que não passam, quando os ossos doem pelo frio e as vidraças embaçam. Estou sob o traçado de avenidas largas, onde o sol se deita num pátio de concreto, onde a chuva e o adeus dividem o mesmo chão.
Talvez eu fique em silêncio, ainda querendo ouvir sua voz. Esse carinho louco que na alma semeei insiste em ficar; enquanto o peso da chuva me curva os ombros, sinto que o meu sangue ainda te procura, pois, a despedida é um parto de sombra, onde o sonho morre, mas a dor assombra.
A chuva foi a minha testemunha da terra vermelha sangrando no asfalto. transbordou os rios, rompeu as bordas, e deixou-me só, no fim da estrada. A chuva que molha o cigarro e o livro, é a mesma que agora desagua sobre meus olhos.
Fica o teu sorriso, náufrago na memória, numa quinta-feira de outono. Escrevo essa história, vendo o tempo escorrer lentamente, até que a chuva se cale... E o sol seque as poças, apagando o espelho d'água das ruas. Lá fora, a vida segue. Mas a minha estiagem... não tem previsão de fim, pois a falta de ti... essa é eterna.
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Autor:
Gustavo Felipe (
Offline) - Publicado: 2 de janeiro de 2026 23:27
- Categoria: Não classificado
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