Metade que restou

Guacimar Vieira de Mello Noos

Hoje estou sentado a folhear lembranças
você sempre me vem à mente
não parece que se passaram meses sem você.
Acordar sempre ao teu lado era mágico,
ouvindo a vida dizer-me bom dia, você não esta mais só.

Não trocaria ter tido nestes momentos curtos,
a melhor das presenças que já vivi,
mesmo que soubesse que a dor que sinto hoje seria eterna.
Quando morri foi contigo em meus braços,
e até teu último suspiro, acreditei que algo mudaria.

O pôr do sol já não tem mais as mesmas cores,
nem minha vida os mesmos sabores.
Por vezes anseio pela morte da metade que restou,
para que possamos voltar a jogar com nossos destinos.

Hoje talvez chova, o que ainda vejo certa graça,
e mesmo isso perdeu um pouco do encanto,
pois sinto falta do teu medo que buscava meu consolo.
Espero que estejas bem, descansando sob alguma sombra,
sentindo as novidades que conta o vento.

Aqui me resta seguir sozinho com você em meu peito.

 

Arthur de Mello Noos



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.