Ainda espero conhecer o outono,
não o das folhas que caem sozinhas,
mas o que nasce quando teus versos chegam
e o tempo aprende a andar mais devagar.
Leio-te como quem atravessa um jardim
sem saber o nome das flores,
apenas sentindo o perfume das palavras
que ficam depois do último ponto.
És poeta
e isso já é uma forma rara de beleza.
Na tua escrita, imagino silêncios suaves,
olhares que pensam,
e uma alma que escreve antes mesmo da caneta tocar o papel.
Apaixonei-me pelos teus textos
como quem se abriga da chuva
sob um telhado de metáforas.
Cada verso teu me ensina
que sentir também é uma forma de coragem.
Ainda não te conheço por inteira,
mas há em mim uma espera bonita,
dessas que não doem
espera curiosa, atenta,
como o outono que chega sem pressa
e muda tudo sem fazer barulho.
Se um dia eu te conhecer além das palavras,
que seja assim:
com o cuidado de quem lê poesia rara,
e com o encanto de quem descobre
que a beleza imaginada
ainda não era tudo.
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