Eu pude sentir e ouvir, grunhidos e respirações rítmicas. Sempre envolta de mim, como uma barreira com uma força sobrenatural que mantinha meu corpo imóvel. E assim se iniciou a série de repetições.
O conceito de tempo não existia ali, as vozes sussurravam em meus ouvidos murmurando palavras em uma espécie de idioma completamente diferentes do que a da pessoa que me tocava o tempo inteiro. Eu me forçava para abrir os olhos, mas nada acontecia.
E então à espera era a única coisa que residia em mim. Sempre esperando pelo momento em que a sensação viscosa e oca desaparecesse… Aos poucos eu pude sentir cada pedacinho da minha existência sendo criada e moldada por mãos que soavam gentis contra minha pele fria.
De repente a voz que me era desconhecida já havia se tornado a única coisa familiar em que eu havia me apegado, um som limpo, vivo, persistente, fino e melódico. Me apeguei aquilo por ser a única dica de mundo que eu tinha.
Sempre que sentia pontas perfurando meus braços, pernas ou pescoço eu tentava abrir os olhos, era sempre uma luta perdida. Até que em um momento eu finalmente consegui… Ardeu, e fez cada neurônio do meu cérebro querer explodir.
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Autor:
Estrela viajante (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 1 de janeiro de 2026 21:48
- Categoria: Não classificado
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Offline)
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