enfim, no início

Brunna Keila

Enfim, final do ano.

E há um cansaço que não cabe no calendário.

Foi um ano difícil.

Difícil para quem precisou acordar todos os dias

e escolher continuar.

Não só por si,

mas pela casa que precisava ficar em pé,

pela família que precisava de chão,

pelos amigos que precisavam de alguém que não desistisse.

A vida não pergunta se a gente aguenta.

Ela apenas continua.

E a constância vira um tipo de coragem:

fazer café mesmo cansado,

ir trabalhar mesmo esgotado,

decidir mesmo com medo.

Manter tudo funcionando

é um trabalho que não aparece nas fotos.

É sustentar afetos,

é segurar vínculos,

é não deixar que o amor desmorone junto com o cansaço.

Vieram decepções.

Algumas pequenas,

outras grandes o bastante para mudar rotas.

Vieram escolhas que não tinham resposta certa,

apenas a responsabilidade de assumi-las.

Há quem carregue filhos no colo

e o mundo nas costas.

Há quem sustente um casamento

com o mesmo esforço de quem sustenta uma casa inteira.

E há quem faça tudo isso

sem nunca se sentir realmente pronto.

O corpo sente.

A mente pesa.

O trabalho consome.

E ainda assim, a gente aprende

que amar também é permanecer,

mesmo cansado.

Talvez o fim do ano não seja um encerramento,

mas um reconhecimento.

Reconhecer que foi preciso força

para não deixar tudo cair.

Se chegamos até aqui,

não foi por leveza,

foi por compromisso.

Com a vida,

com quem depende da gente,

com aquilo que escolhemos cuidar.

Que o próximo ano venha mais gentil.

Não perfeito —

apenas mais justo

com quem fez o possível

para manter tudo de pé.

  • Autor: Brunna Keila (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de dezembro de 2025 22:08
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 0


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