5
Cinco promessas feitas em janeiro
que o tempo dobrou no tempo.
4
Quatro estações passando depressa demais,
enquanto a gente aprendia a resistir.
3
Três vezes em que quase desistimos,
mas seguimos — mesmo cansados.
2
Duas saudades que não couberam no ano
e ficaram guardados na memória.
1
Um último suspiro antes do fim,
o coração apertado de tudo o que foi.
— Silêncio —
O segundo em que o mundo para,
o relógio prende a respiração
e a gente lembra quem é.
1
Um passo tímido no ano novo,
ainda com medo, mas vivo.
2
Duas esperanças se reconhecendo
no meio do barulho.
3
Três desejos sussurrados baixo,
para não assustar o futuro.
4
Quatro motivos para continuar,
mesmo sem garantia.
5
Cinco batidas firmes no peito:
não é recomeçar do zero,
é continuar —
um pouco mais humano e triste.
31 dez 2025 (11:41)
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Autor:
Melancolia... (
Offline) - Publicado: 31 de dezembro de 2025 10:41
- Comentário do autor sobre o poema: Feliz ou Infeliz Ano Novo a todos....(Imagem Chatgpt)
- Categoria: Ocasião especial
- Visualizações: 9
- Usuários favoritos deste poema: Melancolia..., Sezar Kosta, Versos Discretos

Offline)
Comentários2
Meu caro amigo Melancolia, li seus versos e senti aquele aperto no peito de quem sabe que o tempo é um bicho que rói promessas e estações. Sua contagem não é de segundos, é de batidas reais. Gostei imensamente dessa honestidade: você não vende a ilusão do "recomeço do zero", mas a verdade do "continuar" — carregando o peso e a glória de ser um pouco mais triste, mas muito mais humano.
Esse "Silêncio" que você colocou entre o 1 e o 1 é o ponto exato onde a gente se encontra conosco mesmo, sem as máscaras da festa. O mundo para, o relógio prende o fôlego e a gente descobre que resistir foi a nossa maior obra de arte no ano que passou. Suas cinco batidas finais no peito ecoam como uma marcha de quem, apesar do medo, não desiste do passo. É um texto de uma sobriedade admirável, uma retrospectiva feita de carne e osso.
Que em 2026 o seu "continuar" seja firme. Que esses três desejos sussurrados baixo encontrem o caminho, e que a sua poesia continue sendo esse espelho onde a gente se reconhece na nossa frágil e bela verdade. Um abraço fraterno e um ano de muita resistência e luz.
Do seu amigo de letras, Sezar Kosta.
Meu querido Sezar,
recebo tuas palavras como quem recebe abrigo num dia longo. Há nelas um cuidado raro, desses que não apenas leem o texto, mas escutam o que ficou entre as linhas. Fico profundamente tocado por você ter percebido que o “continuar” não é teimosia vazia, mas um gesto silencioso de coragem — às vezes o único possível.
Esse silêncio entre os números, que você tão bem nomeou, também me encontrou enquanto escrevia. É ali que a gente se reconhece humano, imperfeito, mas ainda pulsando. Saber que esse espaço ecoou em você transforma o poema em ponte, e não apenas em confissão.
Que a sua leitura siga sendo esse lugar de encontro e lucidez. Que sigamos, cada um à sua maneira, resistindo com delicadeza e verdade. Obrigado pelo afeto, pela escuta e pela luz compartilhada.
Um abraço forte,
com estima e continuidade.
Poema muito realista e necessário, a imersão desse poema é absurdamente bom me prendeu até o fim, muito bem feito.
Verdade meu amigo...As vezes temos que ir até o final para perceber um novo começo.
Abraços;
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