O que sei lá

Pietro Ribeiro

O que sei lá, que sei lá

Eu trago descontente até que chova,

Eu trago lentamente pela vida nova,

Eu trago essa gente pra minha maloca,

 

Tragando fantasia pelo ar da boca

Dando trago à ironia de um mundo seco,

Sem cor nem movimento do tico ou teco,

Mas que se esconde atrás dessa falsa beleza -

Infeliz incerteza - eu sei lá, eu sei lá

 

O que acontece atrás das câmeras, fora do ar

Que não tem remédio e nem um dia terá,

O que é muito estranho

 

O que sei lá, que sei lá

Só vive nas paredes alucinantes,

Onde vivem os loucos sob calmantes,

Onde aprendem somente os desavisados

 

De que se está no furacão dos observados

De que se está na posição dos mais infelizes

Está no coração, debaixo dos narizes

Ao lado dos mendigos e dos perigos

Que a vida sem abrigo, eu sei lá, eu sei lá

 

Abriga na decadência e nas marés de azar

Que a história tanto jura incontrolar,

Que farsa, meu amigo

 

O que sei lá, que sei lá,

Hoje nenhum aviso pode evitar

Mas no fim sei que é preciso desafiar,

Porque senão os filhos irão replicar,

Porque senão mais um Concílio irá consagrar

 

E todos os meninos irão se embestar

Sem vida, sem destino, sem nem encontrar

O brilho alegre eterno que faz explorar

O verão, outono, inverno e a primavera,

O mundo e amor fraterno que nunca terá

Um mundo em que se sonha depois de acordar,

Um mundo em só juízo

  • Autor: Pietro Ribeiro (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de dezembro de 2025 22:29
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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