Ele caminha em passos surdos, constantes, Sem pedir licença, sem olhar para trás, Transforma os instantes em hiatos distantes, Rouba o que somos, e nunca nos traz a paz.
Eu o vejo no espelho, em marcas profundas, No grão de areia que insiste em cair, Nas marés que recuam, No medo constante de o ver partir.
É este o tempo amaldiçoado que toma minha vida, Um senhor absoluto de mãos invisíveis, Que fecha a porta e ignora a saída, Tornando as memórias em dores terríveis.
Apaga a fogueira, Devora o presente com pressa voraz, Faz da existência uma breve poeira, E do amanhã, um "nunca mais".
Mas se ele consome a carne e o alento, Que eu aprenda, no caos, a ser furacão; Pois se a vida se esvai em um só momento, Que esse momento seja a minha própria redenção.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 28 de dezembro de 2025 20:29
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 7

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