Cai a tarde e eu me enxergo miúdo, sinto- me como um heterônimo, De mim, um outro eu e ainda por definir-me, ou aceitar-me.
Enfim, não sei se sou eu, ou se sou quem desejaria ser ao escrever estas estranhas e evasivas linhas.
E quem sou eu?
Se não, só mais um na multidão.Aqui, ali, em todo lugar, sou apenas um cidadão comum, anônimo e sem posses.
Que anda preocupado com coisas banais, como é comum no meu tempo.Ainda assim, olho em volta neste dia nublado, assimilando as casas e as formas delas e como quem tateia a escuridão por paredes negras, ocas e em ruínas.
Estou como quem tenta escalar estes altos muros que nos cercam e sinto-me como um menino que se perdeu da mãe na volta pra casa.
Por isso, deixando-me sentir não preenchido, nem completo.
Sinto- me só e esse vazio é cheio de um nada tão intenso e tão letárgico que me consome de dentro pra fora.
Então passo a perceber estas horas e os seus dias, que passam num ciclo initerrupto de claro e escuro, início e fim, tarde e manhã e eis um outro dia.
Numa repetição diária e contundente de tempo que parece-me, esvai-se rápido e Inevitavelmente.
Assim como quem viaja, mesmo não tendo onde ir, nem tem todo o tempo do mundo, espero e caminho sem pressa por minhas lembranças, sorvendo lentamente cada bom momento passado e vivido com você, para que possa lembrar quem sou, ou quem fui, quando outrora, cego, me guiava pela luz de teus olhos, ou surdo me orientava pelo som amável da tua voz.
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Autor:
Antonio Ramos (
Offline) - Publicado: 20 de dezembro de 2025 13:50
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Arthur Santos

Offline)
Comentários1
Viajar nas nossas memórias faz parte da vida.
Belo poema.
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