Esquisito como meu próprio ser me cobra,
como se meu corpo pressionasse meu peito por algo que eu já sabia.
Não foi por falta de aviso — até as nuvens se fechavam
quando eu pensava nisso.
O calor sumia, o frio tomava,
e meu sorriso sumia.
Não, não foi por falta de aviso.
Meu corpo falhava quando eu lia teu “abrigo”,
e eu adoecia ainda mais ao ver que tu corria perigo.
Isso me quebrou.
A forma como me tratavas… me dava abrigo,
mas meu corpo gritava que eu estava correndo risco.
E quando eu me escutava, dizia coisas desnecessárias ou não —
Agora nem sei.
Meu coração pesava ao te falar coisas
que para todos sempre fluíram tão fácil.
Meu psicológico me empurra a um lado,
meu coração me cobra por outro,
de um jeito covarde.
Nunca me senti assim, tão errada, tão paralisada.
Nunca mais verei teu sorriso escrito diante de mim.
Eu queria tanto confiar,
mas meu corpo não consegue mais sustentar simpatias.
Eu tento, mas me escondo —
como se fosse noite mesmo sendo dia.
Que agonia.
Pensa que me lê, mas não entende.
Pensa que me ouve, mas nada escuta.
Entenda: não dá para interpretar
uma garota amarga.
Queria ser inocente
a ponto de acreditar em cada palavra —
mas a confiança pesa, corta, mata.
Eu morreria de qualquer jeito
com esse teu jeito de falar
tão doce, tão gentil —
quase febril.
Isso me mata.
Aí digo maldades
como se eu não quisesse nada —
mentira escancarada.
Fui fazer algo para aliviar o peso,
a preocupação,
e adivinha: encontrei teu nome no
caça-palavras.
Nunca a palavra “paz”
me pertenceu.
Não posso oferecê-la.
Sou perturbada,
não acredito em nada,
bipolar sarcástica,
geminiana que não tem paz
nem se quisesse na marra.
Meu corpo me enforca
quando faço algo errado,
me empurra da sacada,
faz minha alma sangrar.
E eu tenho medo —
medo de estar fazendo tudo errado.
Meu corpo pesa como se eu fosse a farsa,
a mala, a otária, a desgraçada.
Meu coração me cobra
como se a culpa fosse sempre minha.
Meu corpo me isola,
como se o amor fosse nada —
e eu sei que isso é a mentira
mais mal lavada.
Meu coração grita,
implora para que não desista dessa pobre alma,
mas meu consciente fala mais alto,
forte, firme, claro:
“Vai embora.
Ela não serve pra nada.”
E eu não reajo.
Só paro.
Fico imóvel.
Paralisada.
Não sei se posso confiar em ti.
Já fui quebrada de um jeito
que nem se fala.
E não sei se vais ler tudo isso,
já que logo no título
destaquei: perigo.

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