Diante de uma sociedade moldada em padrões rígidos, tudo o que escapa ao eixo é julgado, apontado, condenado — como pôde nascer alguém, tão deslocado?
Desde muito jovem, reconhece a diferença que ecoa mais alto que qualquer voz: não sou como eles. Portanto, apaga-se do mundo. Reveste-se por fora, dobra-se às formas alheias, aprende a existir escondida, quase igual.
Por dentro, porém, a menina grita. Chora em silêncio. Nenhuma tentativa, nenhuma dor, nenhuma tortura a faz pertencer — nunca fará.
Ainda assim: é válido tamanho esforço?
Às sombras, compreende que jamais será aceita. O disfarce engana o longe, nunca o olhar atento. Continua sendo a mesma — estranha aos olhares comuns.
Prevalece então, o meio julgamento ao desprezo por inteiro. Finge. Sangra. E acredita que, assim, talvez suporte melhor essa doentia dor da rejeição via fora.
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Autor:
A.G (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de dezembro de 2025 00:39
- Comentário do autor sobre o poema: Forma como uma garota autista se enxerga diante ao mundo.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 20
- Usuários favoritos deste poema: Lírios na Tempestade

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