No Caminho da Estrada

Victor Cruz

Um vento forte bate
Tantas árvores caem
As mais fortes raizes
Enchentes levam casas
Terremotos abalam os fundamentos

Eu na estrada dirijo
Vejo tantos corpos
Tanto dor, tantos mortos
Quem se foi vai
E não volta mais
Restam lágrimas 
Resta o toque frio
Resta a dor do que não mais há 

Quantos se foram…
Atropelados, largados
Famintos e desesperados.
Pobre daquele ali sangrando,
Aguardando a morte,
Piedade que nunca vem.

Sigo em frente pela vereda da vida.
Fujo dos monstros que me perseguem.
E será que alguém já venceu o medo?
Creio em Deus Pai que há vida nova,
Mas a nova vida não vem.
Se fecha o caixão,
Não sobra ninguém!

O Deus de vida é Deus de morte,
E vive quem tem sorte.
Escolhidos os poucos,
Nós, que já estamos mortos.
E para que pedir o resgate? 
Se já os foi pago, que venha e os resgate!
Não serei mais uma peça no tabuleiro.

Nobre o sangue do Herdeiro!
De Ceia em Ceia, nunca tornei-me inteiro.
Sofro eu também no madeiro,
Pois soprou-me a vida nunca pedida
Em um mundo sujo e todo perdido.
Talvez esse seja o verdadeiro inferno,
Mães a ver o corpo dos filhos,
Filhos sob o caixão dos pais.

Quem dera pudesse haver paz!
O mundo da voltas e voltas,
Mas suas atrocidades seguem em rota.
A estrada é esburacada,
E o responsável não as conserta.
Pobres mais a desabarem no caminho.

  • Autor: Oliver Estefes (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de novembro de 2025 18:56
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.