Se me fosse dado mais um dia
o passaria tentando entender
por que sempre imagino o próximo dia
como se ele fosse diferente
sabendo que lá no fundo
é só a mesma falta
repetida nas novas datas
impressas nos calendários
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Autor:
joaquim cesario de mello (
Offline) - Publicado: 28 de novembro de 2025 07:26
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 157
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Aira Lirien, LAURINDA CAMUNDUNGO, Melancolia...

Offline)
Comentários4
Seria perfeito se o outro dia trouxesse novidades, principalmente aquelas que abraçam nossas vontades.
Como sempre, seus poemas refletem verdades.
Meu abraço!
Obrigado, Edla, e retribuo o abraço
O poema denota um certo desencanto pelos acontecidos,pelo vivido...ou me engano?
Querida, Dorta, como diz Fernando Pessoa: "É preciso ser um realista para descobrir a realidade. É preciso ser um romântico para criá-la"
É bom a gente ainda ter esperança e sonhos para o outro dia! Ruim mesmo é não ter mais esperanças para um novo amanhã! Saúde,Paz e muita inspiração. Feliz Natal!
Meu caro Joaquim, li o seu "mais um dia" e senti aquela mesma náusea lúcida que nos acomete ao olharmos para um calendário. Você tocou no ponto central do nosso desassossego: essa mania incurável de acreditar que o amanhã será um país estrangeiro, quando ele é apenas a mesma sala onde já estamos, com a mobília levemente deslocada pela poeira do tempo.
Sua percepção de que a "falta" é a única coisa que realmente se repete é de uma honestidade devastadora. Nós somos especialistas em imprimir novas datas para as velhas angústias. O dia diferente que imaginamos é apenas um adiamento de nós mesmos. Sinto, no seu verso curto e seco, a consciência de quem parou de se deixar enganar pelo artifício do tempo. No fundo, Joaquim, o calendário é apenas uma grade por onde espiamos o vazio. Parabéns por essa coragem de olhar para o amanhã sem as lentes coloridas da esperança vã.
Que o seu 2026, sendo ou não "diferente", seja ao menos vivido com essa clareza que a sua poesia entrega. Que o silêncio entre os dias lhe traga a compreensão que você busca.
Um abraço vindo deste lado do desassossego, seu colega Sezar Kosta.
Agradeço o comentário contundente que tu fazes. E a vida segue, sem datas, aniversários, feriados e calendários. Obrigado pela leitura e percepção da mesma
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