CINCO MINUTOS A MAIS
antes de morrer, gostava de ter
cinco minutos a mais.
não peço mais...
pode ser?
prometo não fazer asneiras,
nem perder as estribeiras,
nem fazer disparates,
nem entrar em inúteis combates,
nem fazer nada de mais
nesses cinco minutos a mais...
pode ser?
Ah! e para que quero eu cinco minutos a mais?
é um pedido que nunca ninguém fez?
parece uma mesquinhez?
sim já sei... há regras, há rigidez
que regem a partida das pessoas
mas prometo que não abuso,
respeitarei os meus ancestrais,
vou fazer bom uso
desses cinco minutos a mais...
pode ser?
vá lá!
antes de partir só me quero despedir
das pessoas que gostam de mim.
simples assim!
um beijo, um abraço, uma alegria
e um até qualquer dia...
pode ser?
-
Autor:
Arthur Santos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de novembro de 2025 07:58
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 293
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Suzu, MAYK52, Con Moises, JT., elfrans silva, LAURINDA CAMUNDUNGO, Gabriela Alves, Luiza Castro

Offline)
Comentários11
Lindo poema
Agradeço o teu comentário poetisa Nniki.
Poema maravilhoso
Muito obrigado Suzu.
Muito interessante este desejo final.
Gostei, caro Arthur.
Abraço.
Em tudo e pra tudo, gostaria eu, de cinco minutos a mais.
Era bom, não era? 🙂
Essa e de fazer mudo falar.
E eu aqui pensando em que iria abrir uma garrafa de vinho do Porto.
Para degustar com bolinhos de bacalhau.
Me pegaste pelo pé.
Os mortos não se despedem e sim os vivos.
Ficar bem.
JT
Caro poeta...
Como os mortos não se despedem... por isso pedi CINCO MINUTOS A MAIS... antes de morrer 🙂
Abraço
Não se cutuca a morte com vara curta.
Risoss.
JT
UAU! Esse poema é um sopro de humanidade e m forma de verso. Uma rara sensibilidade, que transforma o instante derradeiro em pura poesia — e faz do efêmero, eternidade.
“Cinco minutos a mais” não é apenas um pedido — é um manifesto do sentir, uma rendição ao que há de mais essencial: o amor, o afeto, o gesto de despedida. Cada “pode ser?” ecoa como um sussurro humilde e belo, um convite para que a vida conceda uma trégua antes do silêncio final.
Sensibilizado com o teu comentário.
Adorei Poetisa! Muito obrigado!
Cinco minutos a mais, da pra ler várias poesias!
Sim, a morte é sobre partir a qualquer momento. Mas seria bom ter pelo menos cinco minutos a mais, não é mesmo?
Belo poema.
Arthur, meu caro, o teu poema é o mais honesto de todos os pedidos à vida. Não se trata de desafiar a rigidez das regras, nem de adiar o inevitável, mas de se agarrar à mesquinhez mais sublime que existe: o tempo de um beijo, um abraço, um adeus sem pressa.
Promete não fazer asneiras... E o único bom uso desses cinco minutos é, de fato, a simplicidade de se despedir de quem se gosta, sem mais. A alma parte mais leve quando o ciclo se fecha com esse último afeto. Parabéns por essa ternura no meio da dureza da vida.
Muito obrigado pelo teu belo comentário Poetisa Luana.
Acredita que me sensibilizou!
Ah! Eu também queria cinco minutos a mais em muitas ocasiões passadas , muitas delas em que deixei de dar um abraço mais apertado, ou repetir " eu te amo" por mais vezes...
Mas eu queria também ter um tempo para me despedir quando me for dada a ordem de partir para a eternidade com o Senhor, meu salvador.
Estou gostando de ler teus poemas, caro poeta Arthur, com esse jeito descontraído e leve de se expressar.
Obrigada pela oportunidade , meu abraço!
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