"De tudo que faço"

Stefany De'Morais

De tudo que faço, não peço e nem laço.
O que deveria ser raso, se transforma em rastro.
De tudo que faço, abraço sem cor;
Pois, na dor, finjo que abracei com amor.
Rezo na noite anterior:
Que esse dia amenize minha dor,
Me trazendo a cura para esse furor.
De tudo que faço, me embaraço e refaço
As coisas que passo, por carrascos,
Que me tiram o agora, me deixando outrora.
A manhã cai, e a prece não se esvai.
Pensamentos vão e vêm, acorrentando-me à ferida ardida,
Que me súplica e implica o ardor da vida.
Revelando a causa: de aceso à faísca que queima,
Com calma, a alma, me deixando, de vez,
Amortecida na indecisão da existência,
Perdendo no tempo a noção de tempo,
Que domina de perto a ignorância dos servos.
À procura do ferro que alimenta o sangue,
De veias pulsantes, que não sonham
E nem se libertam de correntes,
Para apreciar o presente.
De tudo que faço, não pego nem agarro,
Pois o laço é bem dado, enrolado de lado,
Me deixando marcado, como um vaso quebrado.
De tudo faço, apenas repasso.

“Stefany De’Morais”

  • Autor: Stefany De\'Morais (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de outubro de 2025 10:11
  • Comentário do autor sobre o poema: A dor de um ciclo que te aprisiona ao passado!
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Maria Raimunda, Vilma Oliveira
Comentários +

Comentários1

  • Vilma Oliveira

    Boa noite poetisa!
    Este poema é um retrato da alienação existencial e do cansaço emocional, onde o eu lírico se descreve como um vaso quebrado, marcado por uma vida de automatismos e dores mascaradas.
    Os pontos centrais são:
    A Farsa do Afeto: O verso finjo que abracei com amor revela uma desconexão profunda. O abraço sem cor sugere um sacrifício da autenticidade para manter as aparências, transformando a rotina em um rastro de sofrimento.
    O Tempo como Prisão: O autor utiliza a metáfora dos carrascos que roubam o agora e prendem o ser no outrora (passado). Há uma perda da Noção de Tempo, resultando em uma alma amortecida pela indecisão.
    A Inércia dos Servos: A busca pelo ferro que alimenta o sangue simboliza uma sobrevivência puramente biológica (veias pulsantes), mas sem sonhos ou liberdade. O poema termina em resignação: ele não pega nem agarra, apenas repassa, aceitando o destino como um laço apertado que o imobiliza.
    É uma obra densa sobre a subjetividade esmagada por cobranças internas e externas. Meu abraço poético!



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