REALIDADE NUA E CRUA

LEIDE FREITAS

REALIDADE NUA E CRUA

 

Não cabe no meu poema

A guerra da Rússia 

Ou do Estado de Israel

As crianças nos escombros 

Expostas ao sol da manhã

 

Não cabe no meu poema

As pessoas desaparecidas

Todas as mulheres de cinza

Os órfãos da Faixa de Gaza

Sem lar, sem água e sem pão

 

Não cabe no meu poema

As famílias que dormem nas marquises 

Os desempregados na fila do SINE 

Os mendigos desamparados

Moradores de rua e solidão 

 

Não cabe no meu poema 

As lutas por poder e riqueza 

Extermínio cruel e ganância 

A realidade nua e crua 

E sem nenhuma esperança.

 

Leide Freitas

  • Autor: LEIDE FREITAS (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de outubro de 2025 00:23
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 12
  • Usuários favoritos deste poema: Shmuel
Comentários +

Comentários3

  • Shmuel

    Nobre poeta Leide Freitas infelizmente essas mazelas permeiam nossos poemas .

    Abraços!

    • LEIDE FREITAS

      Infelizmente sim, mas dói ficar ciente dessas coisas.

      Boa Noite e excelente semana!

    • Maria do Socorro Domingos

      Concordo com você, doce poetisa Leide!
      Essas mazelas maltratam a alma de qualquer ser humano, principalmente de quem tem a sensibilidade de captar emoções e transformá-las em poesia.
      Um grande abraço.

      • LEIDE FREITAS

        Obrigada por tua leitura e comentário.
        Um abraço, poetisa Maria do Socorro

      • Vilma Oliveira

        Olá poetisa Leide! Boa noite! O refrão Não cabe no meu poema, funciona como uma figura de linguagem (preterição). Ao dizer que esses temas não cabem na poesia, o autor faz exatamente o contrário: ele escancara as tragédias que a estética tradicional muitas vezes tenta ignorar por serem feias ou pesadas demais. Existe um choque proposital entre a forma poética e o conteúdo (guerras, escombros, fome). O autor sugere que a realidade é tão vasta e cruel que as palavras não são suficientes para contê-la ou explicá-la. O poema traça um caminho interessante: começa com grandes conflitos geopolíticos (Rússia, Israel, Gaza) e vai aterrizando na miséria cotidiana e invisível das nossas cidades (filas do SINE, marquises, mendigos). Isso mostra que a realidade nua e crua está em todo lugar. O encerramento retira qualquer máscara de esperança. A ganância e a luta por poder são apresentadas como forças motoras que esvaziam o sentido da vida, deixando o eu lírico em um estado de impotência diante do extermínio. É um texto que usa a negação para afirmar uma presença incômoda: a de que não podemos fechar os olhos para o mundo enquanto escrevemos ou lemos versos. Parabéns pelo poema! Meu abraço poético.

        • LEIDE FREITAS

          Cara poeta Vilma, muito obrigada por tua leitura e interpretação certeira do meu poema. Um abraço.

          Boa Noite!



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