Amores perdidos no fim de tarde

ingridanjos

Quando te vi partir, não me lembro ao certo.
Acho que eram cinco e quarenta e oito,
Num fim de tarde de domingo.

Teus olhos brilhavam no pôr do sol.
Foi ali a última vez que te vi.

A vida perdeu um pouco a graça.
Duvido que outra alma me toque
Como a tua me tocou.
Que outro alguém me leia até as entrelinhas,
Me entenda pelo olhar.

A questão é: quem ficaria
Depois de ver que eu não sou tão bonita assim?
Que dentro de mim guardo
Uma caixinha com todos os meus ódios por escrito?

Apesar das bocas que encostei,
Dos corpos que atravessei,
Nenhum me fez ficar.

Sei que pensa em mim.
Te leio até no silêncio.
Vi tua mensagem antes que apagasse.

Se o agora não fosse tão tarde,
Se o nosso amor não fosse tão inconstante,
Eu te escreveria uma carta
Contando que te quero
Como sempre,
E mais do que nunca.

  • Autor: Ingrid Anjos (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de setembro de 2025 09:50
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 20
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
Comentários +

Comentários2

  • LEIDE FREITAS

    Gostei. BOA NOITE!

  • Apegaua

    Um detalhe observado, esmero nos títulos dos ditos.
    E também a frequência como usa a alma, não que não goste.
    Quem escreve e a Senhorita e bem sabe em que trecho ira colocar a alma.
    Assim como manda a inspiração.
    Ficou lindo e por isso que gostei.
    Apegaua

    • ingridanjos

      Muito obrigada pela leitura tão atenta! Confesso que estou me divertindo acompanhando seus comentários e as observações que você tem feito sobre meus poemas. É curioso ver alguém perceber coisas que, muitas vezes, fazem parte da minha escrita de forma tão natural que eu mesma nem noto.

      Fico feliz que tenha gostado e mais ainda que esteja lendo além do poema.

      Abraços!

      • Apegaua

        Esse e o meu erro, quando leio.
        Pois quem escreveu estava em outra sintonia.
        Mas por saber que poesia tem, inicio, meio e fim.
        E mesmo que a narrativa saia do tom, se não se encachar essas três almas.
        Quem ler, ira achar.
        Bom, razoável ou ruim.
        Ai que mora a questão, pois se o poeta nem saber, como o seu trabalho poderá ser avaliado.
        Mesmo que o critico seja o leitor.
        E por aqui, e mais fácil nada dizer.
        Não e esse o seu caso.
        Pois acho que a modesta, não vos deixa escorregar na bainha do vestido e de dedo em riste sussurrar.
        Eu sei que sou boa....
        Risos
        Abraços
        Apegaua

        • ingridanjos

          Vou lhe confessar uma heresia poética: nunca fui muito amiga da técnica. Sempre confiei mais naquilo que aparece do que naquilo que é planejado e de certa forma isso realmente virou técnica.

          E, já que fui acusada de modéstia excessiva, vou arriscar um sussurro: sei que sou boa no que faço rsrs.

          Mas continuo acreditando que meus melhores poemas nasceram quando parei de tentar conduzi-los e apenas escutei o que tinham a dizer.

          Abraços!

          • Apegaua

            Epaaaaaaaaaaaaaaaaa.
            Eu falei que não e esse o seu caso.
            Por tanto, houve insinuação, muito diferente de acusação.
            Mas, sabe de uma coisa, confesso que você e muito boa no que escreve.
            Se não fosse.
            Por que estaria aqui a perder meu tempo.
            E educada também.
            Mas corra lá e levante a bainha .
            Para por aqui não se falar mais em tombos.
            E sim de se abrirem mais os ouvidos, para se escutar mais o que os poemas tem a dizer.
            Abraços.
            Apegaua

            • ingridanjos

              Tem razão, vou lhe conceder esse ponto rsrs.

              E obrigada pelas palavras e pela leitura sempre tão atenta. Quanto à bainha, prometo mantê-la devidamente levantada.

              Abraços!



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