Os Sestra acamparam próximo a Yshir e esperaram pela noite. Eordun fora para casa, naquele momento olhava para as escrituras sem luz em sua cabeça, passou pelas cabanas de seus dois filhos mais velhos, Dorna, que estava junto da esposa e filhos, Trissara, com seu esposo e filha. Eordun os cumprimentou, beijo seus netos e foi para sua cabana, lá estava sua terceira esposa com seu recém-nascido filho nos braços.
-Boa tarde Liliana, minha linda esposa, como vai nosso pequeno Dasein?
-Boa tarde meu esposo, ele é uma criança adorável, quase não chora, realmente ele tem seu espírito, puxou muito bem a ascendência de que veio. – Responde Liliana.
-Que bom, irei comer um pouco, e voltarei para a Tenda dos Espíritos, pois alguns membros de Tahrir desejam falar com alguém do passado, e preciso ficar forte.
-Então coma, há um pernil de cordeiro sobre a mesa que o deixará vistoso para suportar a invocação.
Ele beijou a esposa e o filho, e foi comer o pernil que estava em uma das tigelas sobre a mesa de carvalho. Ao terminar a refeição pegou sua sacola, foi até seu aposento onde havia uma série de objetos e sobre a cama estava sua máscara de ritual. Ele a pegou, se despediu da esposa e saiu em direção a Tenda dos Espíritos.
No caminho encontrou-se com os membros do Sestra, composto por mais ou menos umas 5 pessoas, e todos foram para a Tenda dos Espíritos. Quando chegou lá Eordun pegou incenso, e pedaço de carvão antigo, cortou um pedaço de seu dedo, acendeu o fogo, colocou sua máscara e disse as palavras:
- “Venham a mim, sombras do passado, esclareçam o que o clamor de sua voz no quis revelar” ... – de repente o fogo aumentou e depois apagou, houve silêncio por um minuto, e em seguida um espírito de homem surgiu da fumaça.
- “Diga-me quem chama por Sibra, que eras adormece debaixo do seio destas matas?” – falou o espírito.
-Grande Sibra, perdoe afugentar seu descanso, mas sua sabedoria é requisitada, encontramos estas escritas de tempos tão longínquos quanto vós, e mal sabemos o que elas têm a nos revelar. Apenas uma sabedoria como a sua pode, realmente saberá o que se esconde nestas linhas.
-Se foi para tal tarefa que me convoca assim o farei, te direi, mas preciso saber o nome de meu invocador.
-Eordun, o Ackdaran, nobre alma.
-Ackdaran, mostra-me tais escrituras para lhe esclarecer suas dúvidas.
Eordun, pegou as escrituras e mostrou ao espírito, que as leu atentamente, em seguido pronunciou.
-Aqui diz “Sestra, senhor das terras, senhor dos senhores, líder dos afortunados promete para aqueles que o novamente agraciar com a carne e osso, fonte de poder e fortuna entre os mortais...” no pergaminho também dizia: “para a volta Sestra, é preciso uma lasca de seu túmulo, local este onde havia estas inscrições, oito ou mais símbolos unidos a um usuário, e para completar, sangue inocente, deve-se manchar cada símbolo escolhido e em seguida deve morder sugando um pouco do sangue inocente para si, e em seguida manchar novamente com o próprio sangue o símbolo, e dizer três vezes o nome de Sestra, quando surgir uma pedra rubi esta deverá ser colocada no peito do sangue inocente, então Sestra retornará.”
O Espírito acabou de ler e desapareceu, como uma fumaça que se esvaiu de uma vela.
Os seguidores do Culto de Sestra entenderam a mensagem, mas pouco entendiam de invocações e magias, e pediram para Eordun realizar tal feito. Prometeram a ele que seria o braço de direito de Sestra, e provavelmente o senhor, o recompensaria com grandes fortunas e reinos.
Eordun concordou, e disse que em um mês era o necessário para preparar tudo, pois as estrelas se mostrariam mais suscetíveis para qualquer ritual. Mas o que ele preocupava era o sangue inocente de que o espírito estava falando, e o que seriam estes símbolos. Ele olhou para o pergaminho e observou as gravuras, e notou que qualquer tipo de objeto poderia ser usado, e por elas entendeu que tal magia também aprisionava o espírito do portador no objeto.
O Culto voltou para Tahrir, enquanto Eordun, tentava decifrar mais e mais, pelas imagens tentou fazer o ritual da captura do espírito, e percebeu que era um ritual a parte. E durante o mês praticou tal ritual até ficar perfeito.
No passado ele fazia um ritual parecido, nos seus tempos de caçador, aprendeu com um velho xamã como invocar para dentro de si a força de um animal, tal como suas habilidades, mas o xamã sempre dizia que o ritual era originário das forças escuras. Mas mesmo assim ele o utilizava, sempre caçava a noite e invocava a força das criaturas que faziam o mesmo, assim ele ficou conhecido como Ackdaran (Caçador em Trevas Selvagens).
Ele colocou os mesmos dons dentro de sua preferida máscara de ritual, que um dia ele pensou em passar para seu jovem filho Dasein, assim carregaria o legado grande que veio com o título de Ackdaran.
Foram passando os dias, até chegar o momento marcado para o retorno de Sestra. Todos estavam no local com os itens exceto dois seguidores que foram incumbidos de encontrar o sangue inocente. Ackdaran já estava quase impaciente, porque os dois ainda não chegaram com sangue inocente, e quanto mais demoravam era pior para o ritual não se cumprir.
Por fim após três horas de espera os dois chegaram trazendo coberto por um manto algo que parecia ser uma criança nova. Ackdaran não quis ver a criança, tudo estava preparado e hora se seguia, não podia perder mais tempo.
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Autor:
alexonrm (
Online)
- Publicado: 16 de agosto de 2025 11:09
- Categoria: Conto
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