Se for me amar,
que não seja por merecimento.
Ame-me na nota de um piano,
na frequência da escuta,
no sentimento que vibra.
Ame-me...
Ame-me em tudo que há em mim
E se souber extrair, ame -me
Na imperfeição da não verdade,
pois no outro eu já sou o amor...
Aquele que toca com mãos reais,
Que me invade com seu olhar
verde-oliva e mesmo sem
entender meus silêncios,
me espera na cozinha
com café e olhos gentis.
Mas você, não me é indiferente,
Tem poros abertos, feito de metáforas.
Você é vida e ausência.
Palavras que curam
sem saber onde dói.
Você é verso que compensa,
beleza que chama, consome
e tropeça em poesia,
preenche vazios.
Eu sou paixão e importuno, sim!
Essa sua forma sem corpo,
dança em linhas, jeito inteiro,
soneto sem versos,
impermanência temporal.
Mas não me ame...
Simplesmente não ame!
Porque, se você for me amar
Teria que ser por inteiro.
Se for metade, que o inteiro
esteja em mim, não me vejo
fração.
Então, me ame:
Na brisa de uma neblina
que não espera o sol, nem pede razão.
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Autor:
MariaBueno (Pseudónimo (
Offline)
- Publicado: 14 de agosto de 2025 14:36
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 7
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