Chama minha calvície de sabedoria

Similton Fidelino

Chama minha calvície de sabedoria,   

é o sol que brilha no horizonte,   

cada fio que se foi,   

uma história que se conta,   

nas rugas do tempo,   

nos risos compartilhados,   

nas lágrimas vertidas. 

 

Meus pensamentos dançam   

como folhas ao vento,   

livres e soltos,   

sem a amarra dos cabelos,   

sinto a brisa em meu couro cabeludo,   

um lembrete suave   

de que a beleza é mais do que o cabelo. 

 

Descubro um novo eu   

nesta pele exposta,   

este novo modo de ser,   

um renascimento silencioso,   

onde as memórias   

são a vestimenta do espírito,   

e não as madeixas que caem. 

 

Na calvície, vejo a luz   

que revela o que realmente importa,   

um convite à reflexão,   

um chamado à autenticidade,   

onde o riso se torna meu quimono,   

e a sabedoria se torna meu manto. 

 

As mãos que um dia   

brincaram de pentear sonhos,   

agora acariciam a liberdade,   

no espelho, uma face serena,   

um olhar que não se esconde,   

pois cada marca é um fragmento   

da jornada vivida. 

 

Os olhares que buscam   

o que é convencional,   

perdem-se na superficialidade   

de fios e penteados,   

mas eu encontro   

um eco de transformação   

nesta clareza que agora exibo. 

 

Chama minha calvície de sabedoria,   

e eu vou sorrir,   

abrindo as portas da aceitação,   

construindo castelos   

com as pedras do passado,   

encontrando fortaleza   

na vulnerabilidade. 

 

Não há vergonha nas ausências,   

apenas espaço para o ser,   

onde a alma dança livre,   

como um pássaro que se atira   

na correnteza do céu,   

sem medo da queda,   

sem receio do amanhã. 

 

Na simplicidade do que sou,   

aprecio a beleza que floresce,   

a consciência tranquila,   

a paz que reside em cada ruga,   

um mapa de experiências,   

de amores e despedidas,   

de risadas que ecoam na eternidade. 

 

Chama minha calvície de sabedoria,   

e eu acolho essa verdade,   

como um amigo que se apresenta,   

sem máscaras ou enfeites,   

só eu,   

neste vasto universo de humanidade,   

celebrando a vida,   

cada dia,   

com um coração nu,   

mas repleto de luz.

  • Autor: Xilepfana xa Haramu (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de agosto de 2025 14:04
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 7
Comentários +

Comentários1

  • Buenofernandes

    Que bela lucidez ! Um poema encantador.



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