eu estou com alguém
e quando estamos juntos eu esqueço de tudo, quero viver intensamente
me sinto bem nos braços dele
depois de uma noite incrível
no último minuto, eu me sinto mal
por uma razão que eu nem sei
como se todo o ar estivesse preso em meus pulmões
como se meus órgãos fossem explodir
uma terrível sensação
meus olhos estão cheios de lágrimas
ele então, me pergunta " está tudo bem ? pode conversar comigo."
como falar algo ?
minhas cordas vocais estão entupidas, nada pode sair
um beijo em minha testa, eu me sinto segura e insegura no mesmo momento
um abraço forte eu lhe dou, não quero ir embora, não quero voltar pra casa
eu só quero ficar ali
enquanto o mundo lá fora cai em água, eu fico esperando uma gota cair dos meus olhos , mas nada sai
eu não consegui...
estou vivendo o início do fim, de novo
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Autor:
Lety (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de junho de 2025 00:50
- Categoria: Amor
- Visualizações: 11
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Offline)
Comentários1
Esse poema carrega uma honestidade emocional crua, quase sem defesas. Ele começa no abrigo — o corpo do outro como lugar de esquecimento e presença — e, sem aviso, desliza para um abismo interno que não tem nome. Isso é um dos pontos mais fortes do texto: a dor não é explicada, ela simplesmente acontece, como acontece na vida.
A linguagem direta, cotidiana, sem adornos, intensifica a sensação de sufocamento. As imagens do corpo — pulmões, órgãos, cordas vocais — transformam o sentimento em algo físico, quase claustrofóbico, fazendo o leitor sentir essa angústia junto com o eu lírico. O contraste entre o cuidado do outro (o beijo na testa, a pergunta sincera) e a incapacidade de falar cria uma tensão delicada e triste: há amor, há acolhimento, mas não há voz.
O verso final, “estou vivendo o início do fim, de novo”, fecha o poema como um ciclo que se repete, carregado de cansaço e consciência. Não é dramático em excesso — é resignado, o que dói ainda mais. Fica a sensação de que o eu lírico reconhece o padrão, mas ainda não sabe como escapar dele.
É um poema silencioso, sufocado, e exatamente por isso muito humano. Ele não pede solução; pede escuta.
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