Há algo aqui, há algo lá,
um conto antigo a sussurrar:
princesas, feras, trovadores,
dragões em céus de mil sabores.
Histórias trágicas, encantadas,
de dores belas, tão sonhadas...
Seria acaso o fim por garras
melhor que o caos que aqui desaba?
Ser prisioneiro de um feitiço,
não fere mais que o sacrifício
de andar nas sombras, sem razão,
com olhos presos ao chão?
Oh, fantasias tão temíveis,
mas mesmo assim, mais suportáveis
que as verdades invisíveis
que aqui nos tornam descartáveis.
Lá, tudo canta, tudo brilha;
aqui, o som é da armadilha.
Os passarinhos de outro plano
trinam canções de puro encanto...
E nós? Apenas ouvimos, calmos,
os estalidos secos, salmos
de uma guerra sem final,
tão fria, tão banal.
As flores riem noutro mundo;
aqui, já morrem num segundo.
Mas mesmo assim, eu olho o céu
e penso: será tudo um véu?
Será um sonho irreal, distante,
ou algo além do horizonte?
Talvez, se eu ousar dormir,
quem sabe um dia... eu possa ir.
Comentários1
Meu deus. Toda vez você surpreende mais, se eu achava "bordados em pele de papel" o seu melhor poema, eu já repenso sobre, que poema fenômenal, cada rima, a linguagem, a expressão, e toda a reflexão por trás. Ei estou abismada com tamanha qualidade!
Obrigada 😀 !
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.