É mais fácil hibernar do que chorar –
no adormecer, tudo se apaga, tudo anestesia.
É mais fácil ser fria do que enfrentar a melancolia –
disfarçar a dor evita a fadiga.
É mais fácil silenciar do que se fazer ouvida,
pois o ouvinte sempre aflige
deixando o coração ainda mais ferido –
um ciclo que nunca se fecha,
uma dor que só aumenta.
É mais fácil viver na solitude
do que conviver com quem te chama de rude –
no isolamento, encontro minha paz,
minha melhor companhia
até que, quem sabe um dia,
eu me torne minha melhor versão.
É mais fácil errar e aprender sozinha
do que pedir ajuda e ser ofendida –
reconhecer os próprios erros
é mais saudável do que ser banida.
É mais fácil fingir que não ouve um insulto
do que rebater e se esgotar –
calar pode ser virtude,
um escudo para se equilibrar.
É mais fácil acordar e agir
como se nada tivesse acontecido
do que carregar uma angústia
e ainda ser culpada por senti-la.
É mais fácil esconder e evitar sentimentos,
fugir do estresse coletivo –
afinal, de que importa mesmo?
Sou só mais uma incógnita.
É mais fácil tentar alcançar a perfeição,
mesmo sabendo que o final trará decepção –
viver ouvindo que sou "certinha" demais,
mas ao menos, lá fora,
eles percebem isso.
Enfim...
é mais fácil viver assim (ou menos pior).
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