Queijo, vinho e casamento.

ZÉ ROBERTO

Queijo & vinho dá casamento?

Noutro dia viajei

Fui viajar pra bem longe

Disse a mim o hoteleiro

“Não tem quarto”, o camafonge

Não tendo onde ficar

Fiquei na casa dum monge.

 

Era missa todo dia

Foi terço pra todo lado

Benção, reza, hora-santa

Água benta, um bocado

Saí de lá quase um padre

Meu joelho calejado.

 

Fui conhecer numa sexta

Uma quinta e lá fiquei

Levei um susto no quarto

Pois um terço eu encontrei

Eu pensei, dois é demais

Um é pouco, conformei.

 

Saindo pra turistar

Na beirada dum caminho

Deparei c’uma fabríca

Onde fabricava vinho

Entrei, me botaram um copo

“Bote mais um bocadinho!”

 

Uns quatro litros depois

Me encostei num pé de uva

Senti um pingo na testa

Imaginei, lá vem chuva

Na verdade eu tava embaixo

Da saia duma viúva!

 

Chuva vai e chuva vem

Foi duas horas de beijo

Eu já tando satisfeito

Aproveitei o ensejo

“Se a moça não incomodar

Eu levo um naco de queijo!”

 

Foi então que me ferrei

Reancontrando o ‘vigório’

Pra vigário não deu rima’

É fraco o ‘vocabulório’

Viúva irmã do vigário...

Me amarraram um casório!!

 

 

 

Zé Roberto
 
  • Autor: Zé Roberto (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de abril de 2025 10:38
  • Comentário do autor sobre o poema: Om cordelsinho a la surrealismo...
  • Categoria: Humor
  • Visualizações: 5
Comentários +

Comentários1

  • Rosangela Rodrigues de Oliveira

    É inacreditável seu poema, teve um amigo que no dia de finados foi pra casa da namorada e teve que visitar todos os túmulos, moral da história ele ficou puto da vida e terminou o namoro. Boa tarde poeta.

    • ZÉ ROBERTO

      Gosto de brincar com a poesia, humor, surrealismo... Inventar palavras apenas para rimar. Mas esse estilo, apesar de eu aplicar, não é meu. Um grande cordelista (já falecido) chamado Zé Limeira é rei nesse estilo. Boa tarde.



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