O amor que entrego

Ludmilla Fernandes

Fui porto em meio à tempestade,
Minhas mãos seguraram firme, sem soltar.
Fui prece na madrugada, força e coragem,
Fui colo onde puderam chorar.

Fui escuta sem julgamento,
Abraço sem preço a cobrar,
E no silêncio dos meus lamentos,
Deus sabe o quanto fui capaz de amar.

Mas eis que a bonança chegou,
E com ela, um esquecimento cruel.
E comigo ficou só o vazio,
Pois já não sou mais parte do enredo,
Já não sou nome nos convites.
(Às vezes até sorrio.)

Mas quem sou eu, afinal?
Serei sempre aquela que fica para trás?
Até quando serei o suporte,
De quem, ao “melhorar”, não me olha mais?

O amor da amizade não é moeda,
E o que se dá nunca se perde,
Das poucas certezas que tenho,
Sei que o amor que entrego me serve.

E esse amor não se perde, não se desfaz,
E ainda que eu não seja lembrada,
Deus vê! E isso me faz ficar em paz.

  • Autor: Ludmilla Fernandes (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de abril de 2025 00:10
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6
  • Usuários favoritos deste poema: Ernane Bernardo
Comentários +

Comentários2

  • Thais.

    Uau!

  • Ernane Bernardo

    Bom dia! Poetisa Ludmilla Fernandez, aplausos, pela bela escrita do seu poema, bom dia. Abraços poéticos.



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