Ela não vem de preto, nem de foice afiada,
mas vem tranquila, serena, de passos leves na madrugada.
ou na alvorada.
Está no café derramado, no telefone que toca à tarde,
na carta não lida, naquele suspiro que ninguém guarde.
Todos os dias a encaramos, sem manto nem fantasia
no amigo que parte de repente, na voz que se cala de um dia,
no colega que some, no parente que vira memória,
e no nosso próprio peito, quando cessa a história.
Mas quem é ela, senão a irmã que ninguém convida?
A que segura nossa mão quando a vida é perdida
e até nas partidas...
Não é monstro, nem sombra, nem fuga da sorte
apenas o fim do caminho.
E seu nome é Morte.
Ela espera,
paciente,
sem pressa, sem dor.
Afaga o medo, sussurra
Não é o fim, é apenas o amor
que fica quando o corpo já se foi
e não pode ficar.
Eu sou o abraço que te ensina que a vida é voar.
Talvez ela não seja esqueleto, nem treva, nem luto,
mas a dona do porto, a que fecha e faz o trabalho bruto
no seu livro dos dias, com capítulos de alegria e um toque de desespero.
Não por sua parte, mas por parte de nos humanos, do qual não entendemos o seu enredo.
E no fim?
Apenas um "até logo" porque o misto disso tudo
se completa com a morte que faz seu papel limpo e por inteiro.
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Autor:
Anna Gonçalves (Pseudónimo (
Offline)
- Publicado: 2 de abril de 2025 09:58
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 8
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Comentários1
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