Fixado neste instante sem retorno,
tudo que me alcança recusa sentido—
como amar se até o ar me sussurra
que não sou digno?
Procuro-te no espelho até que meu rosto
se dissolve em sombras.
Perco-me nos labirintos da mente,
despenhado nos meus próprios abismos.
Tudo que me atrai
me repele com igual força.
Tremer ao teu lado—
não por ti,
mas pelo fantasma que criamos.
Não domino teus movimentos,
não decifro teu próximo passo.
Arrepio-me diante do teu mistério,
estremeço diante do que sou quando te desejo.
Mas de nós?
Ah, de nós não há temor.
Somos o salto no vazio,
o grito que desafia a queda,
o paradoxo que nenhuma lógica explica.
(Deixa que seja assim:
absurdo, inevitável,
como o fogo que consome
sem pedir permissão.)
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Autor:
Andre Matheus (
Offline)
- Publicado: 1 de abril de 2025 17:15
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 9
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