Como é possível definir esse amor que me deixa louca? Tudo aquilo que você define você limita, então como seria possível definir em palavras um sentimento que não é possível limitar? Que transcende qualquer limite, qualquer barreira, que não respeita o tempo, que brinca com as coincidências, que entrelaça destinos, um amor que debocha de princípios até então muito bem alicerçados ao longo de muitos anos e que esfrega em minha cara que dê que vale esses princípios se eu não puder ser leal a mim mesma e ao que sinto.
Não há como definir as sensações, borboletas no estômago, nuvens na cabeça, um bumbo no lugar do coração? Nem perto…
E os sentidos? Como definir o arrepio com um olhar, o estremecer do corpo inteiro com um toque de mãos, no olfato um perfume que jamais pode ser esquecido, uma visão que enxerga em câmera lenta uma passada de língua sobre os lábios, lábios esses que guardam eternamente as memórias de um beijo e que no menor toque deles ressuscitam uma infinidade de desejos.
Como seria possível definir que a mulher que sempre é uma fortaleza de rochas se veja indefesa diante desse amor, que invariavelmente fria e dura se transforme na melhor versão de si e aja de uma maneira que nem ela acredita que consiga agir. Aquela que manda, determina e não aceita ser mandada se veja de joelhos, nua, desarmada. Que a mulher que planeja seu destino e que não aceita não ter o controle sobre ele, de repente se veja feliz em viver um dia de cada vez.
Como definir sentimentos atrelados a esse amor? Felicidade, saudade, medo…
Como definir uma felicidade há muito não sentida, que traz ao rosto muitos sorrisos bobos durante o dia, que faz pensar incessantemente nessa pessoa desde o nascer do dia e faz você sentir o seu coração preenchido de alegria e ao mesmo tempo lidar com uma saudade que rasga o peito e que corrói a alma, e que está sempre ali… doendo, incomodando, tirando a calma. E definir o medo… um buraco negro… aquela sensação ruim de que tudo pode terminar a qualquer momento, quem vai embora primeiro? Ainda que não termine… há o medo de mudar, e se de repente a gente se afastar? E não podendo deixar de ser contraditório, o medo de nunca mudar… vai ser pra sempre assim? Nunca terei mais que isso? Será esse o nosso… FIM?! Medo do tempo passar rápido demais e que de repente quatorze anos, virem vinte ou trinta. Medo de olhar pra trás e me arrepender de tudo que não foi vivido e ser tarde demais.
Definir esse amor que é um turbilhão de sentimentos é algo tão impossível quanto contar com quantas gotas de água o mar é feito ou contar quantas estrelas estão na noite a brilhar… simplesmente não dá! Ainda bem que mais importante que definir, é conjugar o verbo amar e perceber que ele faz o tempo parar… eu te amei… eu te amo… e sempre vou te amar, enlouquecidamente e em qualquer tempo... sempre... te amar.
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Autor:
Miro (Pseudónimo (
Offline)
- Publicado: 29 de março de 2025 11:11
- Categoria: Amor
- Visualizações: 3
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