Prosa do Covarde

Junior Soares

Lentamente, quietamente

do fundo do peito

emite um ruído silencioso

não o escuta com os ouvidos

se escuta com o tato

ligado a mente

sua máxima carência

não lhe suporta tamanha falta

eco um grito silencioso de dor

ar apenas sai

mas não entra

nesse momento

tudo esta nu

neste momento há apenas um espaço fechado

ninguém o vê

ninguém atesta sua existência…

 

O grito do desespero

o som a ser emitido

é para encontrar com algum ouvido

é para falar com algum outro alguém

seja quem for

 

O receio

é o outro o verá despido

verá sua força, se generoso

verá sua fraqueza, como se prostra

 

Como anseio mostrar

meus problemas

aqueles que nos torna mais forte

aquele que não nos mata

mas como repúdio mostrar

os meus problemas

aqueles que não consigo

transformar em força

se faz minha maior fraqueza

minha maior vergonha

 

A falta do ato

faz de mim um covarde

medo transformado em temor

me resta agir de alguma forma

por isso escrevo (poemas) esse poema

pois quando solitário

com algo (alguém) preciso falar

como temerário sou

enterro meu alento 

a covardia da escrita

para me iludir (negar) minha ação.

  • Autor: Junior Soares (Offline Offline)
  • Publicado: 29 de março de 2025 08:42
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 6
Comentários +

Comentários1

  • .Ykaro

    Gostei de como faz as rimas! Parabéns...



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