ESFINGE

Alexandre Heitor Carlini Mendes

 

Supõe quem sou... porém não se iluda

Feito sou da substância enigmática

Que separa a vida crua, matemática

Do sonho nas asas amplas de Garuda*

 

Me torno nobre monstro... vil herói

Natureza em fúria incontida

Inspiração calma, que cria vida

Expiração a paradigmas destrói

 

Semente adormecida que mora,

Preso a ti entrelaçado estou,

Numa seara que o tempo descora

 

Decifra-me, então, sem demora

Pois força inelutável é o que sou

Que te faz em pedaços e devora

 

*Garuda: deus hindu dos sonhos com asas de águia.

 

Alexandre H C Mendes

Comentários +

Comentários2

  • Rosangela Rodrigues de Oliveira

    Que poema extraordinário. Tenho uma esfinge que gosto muito, acredito que nela existe os bebês. São tantos mistérios. Mas assim que é bom enigmático. Parabéns poeta.

  • Drica

    Legal! Gosto de mitologia hindu. Já li muito sobre.



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