Despedida

Lyvia Cruz



Às vezes, bate a vontade de existir em lembranças,
De correr sem parar até alcançar o inalcançável.
Vontade de levantar voo e subir, subir, subir... e cair,
Tornar-me pedaços nos lugares por onde já passei.

No meu fone sem fio, antes de partir,
Tocará a canção mais triste de Lins.
Quando a escuridão cobrir meus olhos,
Vou sorrir e abraçar a sorte de ir.

Eu só me arrependerei de não ter terminado o livro que ficará na cabeceira.
Ele poderá ser esquecido, mas minhas digitais permanecerão nas páginas que consegui ler.
Uma ou outra estará amassada, porque demoro a entender ou perceber o que o autor quis dizer...

"Sim, divaguei. Mas, para uma poesia de despedida, é bom que vejam que estou feliz e tranquila."

Fico pensando em como será deixar tudo para trás...
Pessoas,
Os animais,
Músicas,
Poesias,
Livros,
Perfumes,
O último cigarro,
A cerveja que não abri,
O biscoito de morango que só comi três.

Escrever tudo isso me fez querer deitar na rede, lá no fundo do quintal.
Sentir-me forte,
E agradecer por não deixar nada para trás.

Apenas esperar o dia,
Tranquila e serena.
Viver é mais difícil do que pensei.
Mas eu tenho vivido momentos mágicos.
Esse fim não é o que planejo.
Flores eu quero em vida,
Ainda tenho muito o que conquistar,
E por tudo que já vivi, mereço continuar.

Eu sabia que não seria fácil.
Minha cabeça é minha maior inimiga em dias frios.

  • Autor: Lyvia Cruz (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de março de 2025 18:31
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 5


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