Despedidas e Despertares

Momed Abdul

Me despeço.

Me despeço das pessoas,

me despeço dos bens,

quando já não têm valor.

 

Me despeço.

Me despeço do mal e do bem,

para evitar o que vem.

Me despeço de tudo.

 

Mas, quando acordo,

percebo que era um sonho,

um sonho distante da realidade.

E, nesses pensamentos, me oponho.

 

No final, sempre me questiono:

E se for real?

Sairei desta prisão infernal?

Será que este sonho se tornará realidade?

 

Afff... situação sufocante,

perco o ar, já é asfixiante.

 

É assim que me despeço.

Pena que, no fim, me desperto.

Caraças, é assim que percebo:

preciso viver sonhando,

Do que sonhar vivendo.

  • Autor: Mano Bob (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de março de 2025 12:25
  • Comentário do autor sobre o poema: Existem momentos em que nos apegamos a pessoas e coisas de tal forma que desapegar parece impossível. O hábito se instala, o costume se enraíza, e, sem perceber, nos tornamos prisioneiros de nossa própria rotina. Criamos uma jaula invisível, onde cada grade é feita de medo da mudança, medo do desconhecido, medo de perder o que já faz parte de nós. Mas, com o tempo, a realidade se impõe. Percebemos que, se continuarmos nesse ciclo, continuaremos sofrendo. A falsa sensação de segurança que nos prende também nos impede de crescer. Buscamos refúgios temporários, distrações que nos aliviam por um instante, mas nunca por completo. No fundo, sabemos que há algo à nossa espera, algo inacabado que, mais cedo ou mais tarde, teremos que enfrentar. O apego pode ser conforto, mas também pode ser cárcere. O primeiro passo para a liberdade é aceitar que a mudança é necessária. E que, por mais assustadora que pareça, ela pode ser a única forma de realmente vivermos, e não apenas existirmos.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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