O SEIO DA MINHA MÃE

joaquim cesario de mello

 

Do seio de onde vim

de onde lactei os minutos que fizeram

as horas dos dias dos meses do ano

da minha mais tenra infância

suguei este meu gosto em gostar

dos livros que minha mãe nunca leu

 

Da lactose adocicada no colo dos afetos

desbravei sinapses no engatinhar de mim

a explorar aquele enorme peito que me acolhia

e eu nele, aos poucos, fui me descobrindo

 

No degustar abrandado das ternuras  

apalpei a textura macia das mamas

e conheci o tamanho das minhas mãos

 

Devo àquele seio distante na memória

onde as palavras não alcançam

o desabrochar de quem hoje sou

no esquecimento de quem ontem fui

 

Tenho saudades do seio

onde ficou meu primeiro retrato

 



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