MISSÃO CUMPRIDA

Maximiliano Skol

Os segundos passam
quais as batidas do meu coração.
Batimentos limitados pelos  telômeros,
que me condenam — talvez por desleixo.
Mas os segundos… esses são ilimitados.
Como desperdicei os meus momentos.
Como os percebo agora, tão nítidos.
O ejetar de um coração cansado
e os instantes jovens e ligeiros.
Agora cada tempo me é precioso.
Busco sentir as auroras.
Sofro a cada pôr do sol.
A memória persiste longínqua —
se é que ainda me lembro.
Um imenso vazio transborda os meus dias
neste tão pouco espaço restante.
O esquecimento resgata muito pouco
—e esse pouco já é muito.
São migalhas.
Que banquetes são essas migalhas!
Um desejo de não pensar,
quando parece que penso demais.
Uma gargalhada à toa, lúdica,
preenche a falta de um humor aguçado.
Um choro imprevisível
conforta qualquer corriqueiro sofrer.
O futuro?
É uma viela sem saída.
Cheguei.
Quantas curvas desviadas.
Reacertos nas encruzilhadas.
Premonições frustradas, naturalmente aceitas.
Não sinto medo.
Nem revolta.
Nem sensação de perda.
Persiste ainda
uma agradável sensação de missão cumprida.
Faria tudo de novo.

Tangará da Serra, 28/03/2024

  • Autor: Maximiliano Skol (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de março de 2024 14:54
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9


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