TUDO FINDO [ ITABUNA, DEZEMBRO, 78)

Jucklin Celestino Filho

 

Acabou. Tudo findo .

Não há mais canto

Nem sorriso lindo!

Não há mais quimera!

Morre o sonho,

Finda a primeira!

Desfez-se o elevo.

Rasgou-se os versos

Que compus um dia,

Emudeceu-me

Na alma a lira,

E o coração

Desalentado suspira

No ultimo ato

Que sepultou-me

O lirismo , a inspiração

E a poesia!

 

- Tudo findo, louca Safira,

Desce a cachoeira ,

Não te iludas!

É morta a esperança!

Joga o pranto

Na cabeceira

Do leito

Da dor

Que no peito

Dorido aflora

Quando lá fora,

Desvanece o fulgor

De outrora!

E só a tristeza,

Nesta quadra

Tão dolorida

Da vida,

Nos é, louca Safira,

Irmã e companheira!

 

Tudo findo!

Não há mais canto,

Festa e alegoria,

Morreu no leito

Da lembrança

A fantasia ,

Toldando o encanto,

A esperança

De um duradouro idilio

Que eu pensava viver,

Mas era ilusão

No entanto.

 

A nostalgia

Que no meu peito

Se aninha,

Faz- me ver

Como eu fora tolo!

Um louco,

Ao  achar, Safira,

Que era muito,

As migalhas, o pouco

De carinho

Que sempre me dedicara. 

Mas acordei. Nunca fui seu.

Nunca foste minha!

 
 
 
  • Autor: Poeta (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de novembro de 2022 19:33
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 29
  • Usuário favorito deste poema: Shmuel.

Comentários1

  • Shmuel

    Nossa que belo! Tão sentidos versos, caro poeta Jucklin Celestino Filho!
    Abraços!



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