Maryellena Aguiar

Obrigada por me permitir existir!

 

Obrigada por me permitir existir ainda que por um breve instante.
Obrigada por querer ser, aqui e agora ainda que não fisicamente ou em pessoa.
Obrigada por me tirar da inércia desse mundo sombrio e trazer um mesclado de tons azuis em degradê, que só tua alma unicamente poética exprime.
Obrigada por me lê, ainda que não pela íris dos teus olhos e sim pela balbucia das tuas palavras.
Você me tem, ainda que confunda o contexto de tudo e de tudo mas que ouvirá pelos séculos sem fim ( isso não é uma falácia, é uma promessa).
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Enquanto conto os pingos de tintas espalhados por esses azulejos português, ouso fechar os olhos e consigo mapear um imagem como sendo um quadro em mente que trás paz ao meu coração, e ousarei pedir, ainda que não seja recíproco ou desejo seu por hora.
Quero ouvir, te lê sobre uns goles de café ou vinho branco, a meia luz, vento brando, descalça, enquanto sinto o embalar de tudo que ouço, vejo, saboreio e escrevo.
Quero sentir o deslizar dos teus fonemas garganta abaixo, como quem bebe um gole d'água sob o sol do meio-dia.
Quero olhar-te tão profundamente, que prometo te lê ainda que nada seja entendível.
Me permita me desfazer, pra me refazer da forma como quiseres ainda que não me arranques absolutamente nada.
Me conceda a honra de dançar entre seus medos enquanto com um pouco de amor rego todos, ao som da minha leveza em tom de voz.
Não espere o próximo tiro, não sou de ferir, sou de curar. Sou curandeira de mim, sou laço, pele, afago, dengos e amassos.
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Quero que veja, perceba, sinta e nunca minta, a porta está entreaberta se era isso que você queria saber.
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Texto @maryellena_aguiar



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