Junior

Insensato querer

Nesta vida já causaste tanto desamor,
E o palor me cobre o rosto de desgosto e abatimento,
Restando apenas destroços, remorsos que tanto causam dor,
Este tal perecimento que corrói da fibra aos ossos num sutil envolvimento.

 

Meu querer me faz distante da própria sorte bem quista
E me abate uma ânsia da morte por conquista,
Esta vista em relutância do quarto em meu leito,
Não sei se me deito ou se cubro de espanto o peito.

 

Nestes tempos em que o vazio preenche a trama,
O meu drama é um fastio tão próprio de quem ama,
E nesta lama rubra de poças bem rasas e espessas ,
Me vejo na cama em morbidez as avessas.

 

Se me calo escondo a chama que abrasa meu peito,
Se falo denoto a fama de amante irrequieto,
Queria poder esvaziar até a ultima gota desta aorta,
E nesta doce entrega torta  revelar a carne morta.

 

Se amar é ferir o peito duma dor incessante,
Abdico então deste posto de amante e me afogo na solitude bem quista,
Esta vil companhia que de tão monótona chega a ser fascinante,
E sigo delirante numa ilusão própria da conquista .



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