Jessé Ojuara

Banquete de Babete e Baco



 

Você me convidou para um banquete e eu vim e nele vou continuar até me fartar ou você se fartar de mim. 

Nossos insaciáveis e inimagináveis desejos não se fartam com pouca comida. Viva ao pecado da gula. Quero lhe comer por inteiro: corpo, alma, espírito e ...

Eu lhe convidei para uma viagem, você veio. Pulou no barco, sem nem perguntar o destino. Simplesmente embarcou, livre. Sem medo. Na bagagem...., sem bagagem. Jogou a bagagem no mar e deixou que fosse devorada pelo valente dragão do mar.

No cardápio amor, luxúria, personagens,  personas, poesia, arte, escatológicas declarações e revelações, faladas ao pé do ouvido. Para não macular a Vitoriana e hipócrita caretice do mundo.

Mas por que tem que ser assim? Queremos e vamos quebrar as cinco paredes. Ou não, ainda não. O mundo não está preparado para aceitar minha loucura. Que encontrou em sua doidice, uma terra fértil, um porto seguro e se atracou aos seus insanos desejos.

 Vamos juntos desatar os nós e revelar o eu, teu, nus despidos de nós mesmos e muitos outros que queiram se libertar, ser minimalistamente feios, ser libidinosamente o que quisermos ser. Sem nada ter e tendo apenas a vontade. Essa mola poderosa que dá brilho a vida e desmantela a parede do medo, da hipocrisia, que quebra correntes, destrói estereótipos, cria vida, pessoas, personagens e personas livres. O ser, só por querer ser, tudo o que quisermos ser, ou não ser nada.

Vou lhe beijar sem escovar os dentes, com um bafo indecente. Tá bom, aceito chocolate, chocolate, eu só quero chocolate.... só chocolate e café para despertar desse sonho emprestado.

Vou me fantasiar, como se a vida fosse um eterno carnaval, e é ou será. Se já é um eterno inferno, que seja também um infinito Carnaval. 

Uma vida tricotômica, louca, utópica, que diz tudo e não revela nada. Para que? Para quem vamos nos revelar?  Eles não estão preparados para entender quem verdadeiramente somos, o que somos. Nem eu nem você sabemos o que e quem de fato somos. Eu não sou nada. Você nada é.  E assim não sendo nada, nos despimos de toda fantasia emprestada. Rompemos  com todos os paradigmas. Criaremos os meus, seus, nossos próprios paradigmas. Tudo nosso e nada deles. Eles pensam que sabem tudo e só sabem o que seus pais e país lhe ensinaram e repetem o mesmo e patético ritual. Pobres miseráveis, eles não sabem nada.

Rasgo a Colombina, Pierrot, Pirata e Baianinha e escolho minha própria fantasia. Posso ser puto, puta, Capeta e até anjo. Nunca Rafael. Lúcifer tem mais a ver comigo.  Sua esculpida maldade e vileza, encantam, porque revela quem realmente ele é e eu sou, e você é e nós somos. Anjos caídos, desconstruídos por um cinzel, que não pertenceu ao Angelical Miguel. Foi forjado na clerical hipocrisia, de uma sociedade que cultua o medo, como forma de opressão. Cantada nos sepulcros caiados de branco. O mesmo tom que maculou nossa história, com o sangue de cientistas, Santos Magos, Alquimistas e lindas Bruxas.

Acordei, que puto sonho de uma quarentena de sete dias, que ainda não acabou ou acabará. Se curado, vou me contaminar nos becos e cabarés, onde existe vida e proliferam vírus, germes e bactérias que inoculam a felicidade de finalmente eu ser, sermos, um ser, seres únicos e verdadeiros e imperfeitamente impuros.

Arranco meus olhos e coloco na sua cara e nesse momento único e fugaz, você finalmente enxergará, com um apaixonado asco, quem, ainda assim, diz gemendo, em um dialeto estranho:

Et oma arrop!!

Todo melado, eu GRITO um basta, para essa robótica vida cinzenta e opaca. 

Falo de falo, de vida aquarelizada. De falo e vagina que se misturam, se mesclam e se lambuzam, trocam fluidos, num fluído acasalamento escatológico. La petite mort, sem ego e finalmente nosso primeiro gozo em uníssono.

Se foi bom para nós, bole mais unzinho e vamos seguir a viagem.

Gracias a la vida!

Comentários2

  • Sergio Neves

    SERGIO NEVES - ...eita!...foste fundo!...bem fundo! (literalmente!) /// Abçs.

    • Jessé Ojuara

      As vezes libertar nossos monstros, anjos e demônios pode ser revelador.

      Grato,

      • Jessé Ojuara

        As vezes libertar nossos monstros, anjos e demônios pode ser revelador.

        Grato,

      • Jucklin Celestino Filho

        Divinamente louco e genial! O gênio! O louco! O louco ! Um louco poema de penetração profunda -- carne com carne, sexo com sexo!
        Muito louco! Mas genial!

        • Jessé Ojuara

          Você entende meus devaneios e loucura.

          Grato

          • Jessé Ojuara

            Você entende meus devaneios e loucura.

            Grato

          • 1 comentário mais



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